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Em uma tarde de outono você lembra-se de uma outra tarde lá na sua infância. Você fazendo o que gostava. Por mais que você tente ser racional aquela cena te induz a entender aquele momento como a essência da sua vida.
Já uma lembrança de verão traz emoções das quais pareciam mais fortes quando você era jovem. Lembrando um amor, você respira fundo e acredita que viveu da maneira correta, ou por mais que volte no tempo, iria deixar tudo como foi.
As flores da primavera tentavam te consolar sobre aquela perda. Não sabe onde, mas um dia você acordou e sua vida não estava mais lá. Alguém roubou o motivo pelo qual seu organismo lutava por mais e mais sentimentos.
E nesta fria noite de inverno você, sentado ao lado da própria lápide, pensa se foi capaz de apenas viver. Sabe que não sabe se viveu da maneira certa e já se conformou que não há como saber. As preocupações de diversos gêneros que te atacaram quando vivo, hoje só permeiam as faculdades responsáveis pela lembrança.
Você não quer perder toda a sua vida, porque não viveria diferente, porque até onde ainda sabe, a oportunidade foi única.

Fonte: novo-mundo.org

x.o.x.o - Fah. Vasconcelos



  Tentamos dançar conforme o ritmo, mas nada se encaixa, o que hoje é bom, não sabemos se será amanhã, surgem dúvidas, cobranças do mundo e principalmente as que mais nos afetam, nossas próprias cobranças, queremos mudar, ser alguém melhor, trazer orgulho, sermos menos orgulhosos, nos sentimos mais adultos a cada dia, feliz até por isso, tristes por olharmos o passado e ver o quão fácil tudo nos era, sem grandes expectativas, apenas o agora, a diversão, as brincadeiras, companhias, amigos de montes, tudo era festa, enquanto hoje procuramos uma festa para tentar nos divertimos por uma noite o que costumávamos fazer todos os dias, toda hora.
  O amor que era belo nos torna pessoas mais complicadas, estressadas, ciumentas, então descobrimos que o fato de dizermos o quanto amamos nem sempre é relevante para alguém. O dizer “te amo” deveria ser mais valorizado.
  Se hoje somos cuidadosos para nos aproximarmos de alguém é porque já sofremos por esta razão antes, então dizer que nos tornamos assentimentais, frios, cuidadosos com nós mesmos, não é sinal de maturidade e sim de fragilidade, ninguém se torna sábio de um sentimento, sem a ter vivido e errado. Somos feitos de nossos próprios erros. Deveríamos pensar na simples possibilidade de corremos o risco.
  O que deixamos transparecer não chega a um terço do que realmente somos, todos nós somos muito mais, cabe a nós descobrirmos isso. O que omitimos aos outros ou são nossos grandes defeitos que queremos sempre esconder, ou nossas grandes virtudes que queremos que descubram. Mas... e o que omitimos de nós mesmos aonde se classifica ?
Escondem, se escondem, nos escondem, escondemos, é inevitável e sempre contínuo, parte do que somos é o que passamos a vida toda querendo ser.

"A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro." 
(John F. Kennedy)